Ex-travesti de MT que se tornou pastor diz "É a palavra que transforma"


Jóide ficou famoso por ter abandonado uma vida de "ilusões, de infelicidade e de vazio interior" e por ter feito uma verdadeira transformação em sua personalidade, obra esta, aliás, que segundo ele, "tem a mão salvadora de Deus". Já esteve em programas de TV como o da apresentadora Luciana Gimenez.
Em entrevista exclusiva ao Olhar Direto, o cuiabano Jóide Miranda conta fatos íntimos de sua vida, os abusos sofridos na infância, a
escolha pela vida de travesti, o dinheiro e a fama ganhos no mundo gay europeu, a decepção, a "cura no Senhor" e a transformação que pouca gente acreditava que seria possível.

OD - Como foi que tudo começou? O que o levou à homossexualidade?


JM - Fui violentado quando tinha seis anos por um advogado que morava em frente a minha casa. Tive medo de contar aos meus pais. Meu pai era um homem violento, alcoólatra e eu nunca tive um referencial paterno na minha vida. Isso foi a brecha para o inimigo entrar na minha vida, na área da homossexualidade. Existem "n" fatores, mas a grande maioria dos casos está no abuso sexual. Os travestis Rogéria e Nani People me disseram as mesmas coisas. Todos os casos começam na infância. Meu pai era muito agressivo, violento, e minha mãe não conhecia Jesus. Eu comecei a conhecer muitos homens. Este advogado ainda me molestou durante dois anos. Era um homem que me dava carinho. Eu cresci minha vida toda pensando que eu tinha nascido assim. Eu queria provar para o meu pai que eu queria ser alguém. Eu me travesti, passei a ir para as esquinas para ganhar dinheiro. Comecei então a fazer uso de anticoncepcional.


OD - Como começou a "ganhar" a vida?

JM - Aos 14 anos eu fui para o Rio de Janeiro, para São Paulo, onde conheci o mundo da prostituição, das drogas, do roubo e da violência. De São Paulo fui pra França, etc. Durante o tempo em que fiquei morando na Itália, minha mãe se converteu e começou a falar muito de Jesus. Toda aquela beleza, aquele dinheiro, toda a fama que eu fazia como travesti, enfim, eu era uma pessoa infeliz, eu era um homem frustrado. Mas como eu, todos os meus amigos com quem eu conversava eram assim. Diante das pessoas, diante da sociedade, nós mostrávamos uma alegria e uma felicidade mentirosa. Porque a vida não era aquilo que nos vivíamos.

OD - Como começou a mudança?

JM - Minha mãe começou a falar muito de Jesus. Ela me convenceu a voltar para o Brasil. Eu tive uma decepção amorosa homossexual muito grande lá na Europa. Nesta época, já não estava mais na prostituição, me tornei um profissional na área da culinária e vivia um relacionamento (há seis anos) que dizia ser “estável” e “fiel”, mas de estável e fiel não tinha nada, e ainda continuava com aquele vazio interior. A civilidade que existe lá é muito paliativa. Não existe civilidade em um amor carnal. Mas o amor na graça de Deus é totalmente diferente do amor carnal. Aí foi que aceitei Jesus, entre 1991 e 1992, e de lá pra cá eu conheci a pastora Gisela, ainda como travesti. Chegando lá, depois do culto, quando fomos cumprimentar as pessoas, ela se referiu a mim como "ele", mas eu literalmente era uma mulher. Pode-se ver no site as minhas fotos. Perguntei pra minha irmã que estava comigo "quem disse para essa mulher que eu era homem?". No outro dia, ela disse que quando estava sentada, o Espírito Santo de Deus disse pra ela que eu era um homem e que mandou cuidar de mim. Até então eu nunca tinha ouvido falar em revelação, que Deus falava. Daí eu expliquei minha situação pra ela, falei que eu era uma pessoa infeliz, que não era pelo dinheiro que tinha, pela beleza que eu tinha, e ela falou: 'se você quiser sair dessa vida, Deus pode. E eu estou disposta a caminhar com você seja quantas milhas for'.

OD - Como foi o tratamento?

JM - O tratamento não foi fácil. Foram quatro anos de discipulado, de renúncia, de cura interior. Tinha uma psicóloga na igreja, Doutora Rosalba. A pastora pediu que a Doutora Rosalba me ajudasse em algumas áreas da minha vida. Quando eu conheci a Edna (atual esposa) daí foi uma longa história. Fui conhecendo a bíblia, o Esprito Santo foi incomodando. Aqueles peitos enormes foram me dando vergonha. Eu comecei a disciplinar a minha voz, mudar a forma de eu sentar. A pastora dizia que o problema da homossexualidade está na mente e que eu precisava restituir a minha mente, como diz a palavra em Romanos 12, de que "Deus vai transformar a nossa vida completamente". Então ela me discipulou. É a palavra que transforma, é a palavra que cura, é a palavra que liberta a mente, alma e o coração do ser humano.


OD - Como está o casamento?

JM - Completo 47 anos no dia 19 de março. Estou casado há 13 anos, tenho quase 30 anos de convertido. Tenho um filho lindo e maravilhoso de um ano e seis meses e a gente tem percorrido o Brasil todo para proclamar as bençãos do Senhor, que Deus muda a família, que Deus transforma e liberta, que restaura. Você precisa ter o coração aberto para deixar Deus trabalhar em sua vida. O importante é nascer de novo. Ele falou isso para Nicodemos, que era muito inteligente e sábio mas era muito infeliz. Nascer de novo é nascer no espírito. Quando a gente aceita Jesus como único senhor da nossa vida, nós aceitamos que ele tem agora o nosso destino. Quando a gente aceita Jesus a gente deixa de ser ignorante em relação ao mundo espiritual. Agora eu escolho me esforçar para ir para o céu.


OD - O senhor sentiu tentado a voltar à homossexualidade?

JM - Isso foi no começo. No começo da conversão você é um bebê. Quando você começa a caminhar, aprender. Meu filho aprendeu a caminhar e teve algumas quedas. Se ele não aprendesse, eu ficaria preocupado. No início da nossa conversão, quando não temos essa maturidade espiritual, você tem algumas quedas. Voce é tentado. Mas quando você começa a viver o mundo espiritual, você tem que se submeter a Deus e resistir ao Diabo. Então quanto mais você se submete a uma autoridade como é Deus, mais o Diabo vai fugir de você. Com o tempo, o pecado vai se distanciando de você. Claro que ninguém é perfeito, mas aquela casca grossa que predominava as nossas vidas, como desvio de caráter, adultério, homossexualismo, drogas, alcoolismo, vamos deixando estes vícios mais pesados que denigrem a nossa imagem. Hoje eu posso dizer que Graças a Deus eu tenho a minha mente 100% transformada. Eu sou hetero 100%. Eu amo a minha esposa. Eu sou apaixonado pela minha esposa. Eu amo a minha família. Mas o Diabo não desiste. Quando eu percebo algo que é a investida do Diabo, eu acho graça. Eu falo: "mas Diabo, você é sujo, hein?" Mas eu ficar tentado, preocupado, isso nunca. Eu estou formado na rocha. Eu tenho me alimentado da palavra todos os dias. Eu tenho me disciplinado. Eu procuro o hábito de orar todos os dias. Se eu deixar alguma brecha, o Diabo vai investir primeiro na minha família.

OD - Como é sua vida hoje?

JM - Tenho 170 marcas de pontos no meu quadril. Não tenho vergonha de falar. Não me envergonho do evangelho nem me envergonharei jamais do que Deus fez na minha vida. Às vezes eu falo que fui isso, aquilo, apareço de terno e gravata e muitas pessoas pensam que eu estou mentindo. Quando eu mostro as fotos, quando eu tinha 16 anos, quando estava em Paris, quando estava na Itália, depois mostro as fotos do meu casamento, as pessoas se impressinam. Infelizmente, nós temos muitos irmãos que vieram da linhagem de (São) Tomé, que precisam ver para crer. Mas eu fico feliz.

Notícias Cristãs com informações do Olhar Direto via TopNews
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